A praça pública está se reinventando. Em Curitiba, Recife e Florianópolis, prefeituras estão transformando espaços públicos tradicionais em ambientes equipados com Wi-Fi gratuito de alta velocidade, painéis solares, tomadas para recarga de dispositivos e áreas de trabalho ao ar livre. O conceito, chamado de "praça inteligente" ou "smart square", já existe em cidades europeias e asiáticas há anos, mas começa a ganhar escala no Brasil.
Em Curitiba, o projeto Praça Conectada já equipou 23 praças em diferentes bairros da cidade. O Wi-Fi é gratuito e sem limite de tempo, os bancos têm tomadas USB integradas e painéis solares alimentam a iluminação noturna. Nos fins de semana, algumas praças recebem eventos culturais transmitidos por telões instalados permanentemente.
"A praça sempre foi o coração do bairro. Estamos atualizando esse coração para o século 21", diz o secretário de urbanismo de Curitiba, engenheiro Paulo Melo.
Trabalho remoto e espaço público
Uma das mudanças mais interessantes é o uso das praças como espaços de trabalho remoto. Com a consolidação do home office e do trabalho híbrido, muitos profissionais buscam alternativas para trabalhar fora de casa sem pagar por um coworking. As praças conectadas têm sido adotadas por freelancers, estudantes e profissionais liberais.
Em Florianópolis, uma pesquisa realizada pela prefeitura mostrou que 34% dos usuários frequentes das praças conectadas as utilizam para trabalho ou estudo. "É uma mudança de comportamento que não esperávamos quando projetamos o programa", admite a coordenadora do projeto, arquiteta Fernanda Luz.
Desafios e críticas
Nem tudo são elogios. Críticos apontam que os recursos investidos nas praças inteligentes poderiam ser direcionados para necessidades mais urgentes, como saneamento básico e habitação. Há também preocupações com a manutenção dos equipamentos — o histórico de vandalismo e falta de manutenção em espaços públicos brasileiros é longo.
"A praça inteligente é bonita, mas se o banheiro público não funciona e a iluminação falha, o conceito não se sustenta", observa o urbanista Nabil Bonduki. Os gestores das três cidades reconhecem o desafio e dizem ter criado equipes específicas de manutenção para os novos equipamentos.