O governo do estado de São Paulo assinou nesta semana os contratos para a expansão de três linhas do metrô paulistano, num investimento total de R$ 14,7 bilhões. As obras das linhas 5-Lilás, 6-Laranja e 17-Ouro devem ser concluídas até 2029 e, segundo projeções da Companhia do Metropolitano, beneficiarão 1,8 milhão de passageiros diários.
A expansão mais aguardada é a da Linha 6-Laranja, que vai ligar o Brasilândia, na zona norte, ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul. O trajeto, que hoje exige pelo menos duas baldeações e mais de uma hora de viagem, poderá ser feito em menos de 40 minutos com a nova linha. A Brasilândia é uma das regiões mais populosas da cidade e uma das menos atendidas pelo transporte de alta capacidade.
"São Paulo tem uma das maiores redes de metrô da América Latina, mas ainda é insuficiente para uma cidade do seu tamanho. Essa expansão é necessária, mas não é suficiente", pondera o engenheiro de transportes Ciro Biderman, da FGV.
Linha 5: chegando ao ABC
A extensão da Linha 5-Lilás vai conectar o metrô de São Paulo ao Grande ABC, integrando a rede metropolitana de forma mais eficiente. A extensão de 12 quilômetros vai passar por Santo André e São Bernardo do Campo, cidades que hoje dependem quase exclusivamente do ônibus e do trem da CPTM para conexão com a capital.
Para os trabalhadores que fazem o trajeto diário entre o ABC e São Paulo — estimados em 600 mil pessoas —, a nova linha pode representar uma economia de até 45 minutos por dia.
Desafios e ceticismo
Não é a primeira vez que o metrô paulistano anuncia expansões com prazos ambiciosos. A Linha 6, por exemplo, está em obras há mais de uma década e já sofreu múltiplos atrasos. O ceticismo de parte da população é compreensível.
"Os contratos estão assinados, os financiamentos estão garantidos. Mas a história do metrô de São Paulo é uma história de atrasos. Vamos torcer para que desta vez seja diferente", diz Biderman.
A Secretaria de Transportes Metropolitanos prometeu publicar um cronograma detalhado das obras e um sistema de acompanhamento público do andamento dos contratos. A transparência, dizem, será diferente desta vez.